sexta-feira, 5 de julho de 2019


Eu estou aqui para viver e ver no que vai dar
Essa rotina de sonhos e apagamentos
De colocar o medo antes de tudo
Antes de respirar.

Eu quero só ver no que vai dar
Essa vontade absurda de ter seu canto
De ter o seu espaço
Mas cadê o seu corpo?
Quem é você?
Mataram o nosso nome.
Jogaram ao vento.

Eu quero só ver
Que caminhos a gente pode percorrer
Se os pés estão cansados de correr descalços
E o meu nome ficou para trás.

Eu quero ainda ver
Que esse corpo cansado há de sonhar
No chão quente que as águas passam
E cicatrizam as feridas da alma.

Eu quero a ponta do mundo
Para brincar de chacoalhar
Reordenar as histórias
E bagunçar o princípio dos afetos que não nos ajuda a viver.

Eu quero ver
Se o tempo agirá sobre nós
E restituirá o nosso passado
Restituirá o meu nome?

Eu quero ver o que a encruzilhada me revela
E se não consegui enxergar
Ficar bem com isso.

Meu nome é um corpo em memória
É um Ori
É uma moldura que não cabe em mim
É um rastro inacabado
É uma vida toda.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

VERSOS DE GRATIDÃO PARA UMA MULHER DE OXUM


Eu tenho razões insistentes para continuar acreditando em mim.
Eu me reconheço nos nossos segredos mais profundos.
Essa armadura que tenho hoje vem da sua força.
Nasci sem nada, em branco e vulnerável.
Diante do mundo, o seu olhar sempre foi terno e apaixonado.
Você me amou nos versos mais tensos e nas águas mais revoltas,
E eu me sentia protegido e quisto,
Sem dúvidas de sentimentos contrários.
A sua doçura era valente,
Sempre atenta às questões da vida, sofreu duramente.
Mas a força estava sempre lá, presente.
Das decepções, floresceu sem medo,
Se perdia nas águas,
Mas se reencontrava , percebia a sua força,
Entendia a necessidade das lágrimas e não se afogava, nunca.
Aprendeu a metamorfosear,
E no trânsito arriscado do tornar-se menina-mulher, encontrou a sua essência.
Compreendeu os seus propósitos se admirando no espelho,
Renascendo todos os dias,
Construindo as suas próprias convicções,
Na força dos afluentes,
Nos afetos
E [des] construções.
Deixando-me viver livremente, seguia os meus voos,
E orgulhosa se lançava a voar comigo,
Sem arrependimentos.
Me mostrou o verdadeiro amor com braveza,
Sendo sempre a minha melhor amiga.
E o que sinto hoje é reflexo da sua essência.
É uma emoção, no sentido mais grato da palavra, falar desse amor que construiu as minhas armaduras,
O meu lugar de fala.
E essa potência nunca se apaga,
Nem mesmo com a força das águas
Que por um motivo qualquer, na sua mais absoluta simplicidade, instituiu-me como o seu filho.
Eu fui escolhido pelos braços de uma filha de Oxum!
E disso, de você e do seu amor incondicional nunca duvido.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

VOCÊ NÃO É OBRIGADO A NADA



Depois de uma dose de amor próprio e bem estar (e de tempo, claro!) você aprende a importância de dizer não.

Sabe por quê? Porque você não é obrigado a nada. Essa ideia de estar sempre se anulando por alguma coisa, por respeito, culpa, medo, amor, sei lá, não vale a pena, de verdade.

Você não é obrigado a gostar de Caetano porque ele é cute. Você não é obrigado a gostar de futebol porque é um “esporte de homens”. Você não é obrigado a namorar um cara porque ele é legal. Você não é obrigado a transar com as pessoas porque cuida do corpo. Você não é obrigado a concordar com o seu chefe porque é ele quem decide as diretrizes. Você não é obrigado a estar numa festa porque ela é badalada. Você não é obrigado a não se sentir bem; com quem e onde estiver.

As pessoas estão muito flexíveis e isso é questionável. Em uma sociedade tão heterogênea, onde vejo os desafios das relações a fora, de aceitar e respeitar as escolhas do outro, é importante refletir se estar sempre disponível a tudo é uma atitude nobre.  O dissenso também é importante. Ele ajuda a construir, a delimitar e estruturar os sentimentos, dentro do que é seu e o que é outro. Anular-se para estar numa relação, aceitando tudo, topando tudo por medo, por insegurança é um risco. Isso é entrega ou suicídio?

O que questiono é a duração disso tudo, até quando você suporta. Falta de posicionamento? De maturidade? Talvez. Mas não se esqueça que são pelas ideias que floresce a admiração. Ninguém é perfeito do jeito que você idealiza, a não ser que queira viver uma eterna ilusão. Viemos de origens familiares distintas, construímos valores morais diferentes e isso é absolutamente normal. Temos um olhar sobre o mundo muito peculiar. Parecidos, mas sempre únicos. Então, negar-se para quê? Para que o outro se sinta feliz? Não, cada um é responsável pela sua felicidade. O outro aparece para te transbordar, porque você é naturalmente pleno. Não permita ser o que você não sustenta. Se não te faz bem, questione o seu lugar. Vale à pena? O que quero? Sou isso mesmo? Nada te obriga a ser; e nem ninguém. Porque beleza não anula defeitos e não substitui princípios. Uma hora, o barco pesa e fica difícil navegar.

Bonito mesmo é assumir suas decisões com propriedade, delicadeza e muita sensatez. Deixar o outro livre para escolher e se sentir leve por isso. Se os amores acontecem pelo tempo, construção, respeito e pela força do encantamento, não tenha dúvidas de que isso só acontece quando há autenticidade.



A única obrigação que temos na vida é de sermos nós mesmos. 

sexta-feira, 24 de março de 2017

TENTAR NOVAMENTE

“Quando a gente resolve dar uma nova chance para o nosso coração é o mesmo que dar uma nova chance ao medo”. Foi exatamente isso que uma amiga me disse em mais uma de nossas longas conversas sobre a coragem de tentar novamente. Talvez você esteja pensando que não há nada demais em tentar, afinal de contas, a felicidade reside nas possibilidades. Mas não é tão fácil assim, se entregar novamente.

Depois de tantas vivências, a gente endurece, amadurece, talvez, de modo a se cercear com várias exigências para o próximo relacionamento, tentando se prevenir das falhas que fizeram os outros não darem certo, na expectativa de viver algo diferente. Mas os caminhos são desafiadores e possuem muitas curvas. Hoje, encontramos muitas pessoas disponíveis para relacionamentos, com aquela vontade de viverem os melhores momentos de suas vidas, com juras eternas de amor e promessas incessantes de um companheirismo sem fim. Mas nada disso é novo... Na verdade, isso sempre acontece de novo.

As decepções e frustrações fazem parte de qualquer relação, sabemos disso, entretanto, encarar um relacionamento, nos dias de hoje, requer de nós um desprendimento de tudo que vivemos para mergulhar nesse mar. A sensação de insegurança que vivenciamos nos faz repensar sobre as escolhas de um compromisso que se estrutura no respeito. E é exatamente isso que falta! A ausência dos valores acordados no início da “paixão fulminante” dá lugar aos conflitos de uma relação estremecida. E não é a crise dos 5, dos 10 e nem dos 20, não é fase, é a forma de lidar com o sentimento, é a maneira de encarar as entrelinhas do que se quer.

E nessas curvas, o carro se descontrola.  Instaura-se o medo, a desconfiança, o sofrimento por ter investido, acreditado na palavra do outro, surgindo o sentimento de descrença. É o que minha amiga afirma: será que vale a pena acreditar de novo?

É o tempo que nos dá aquilo que enxergamos. Ao nosso redor, percebemos as crises de relacionamentos que começaram ontem, que acreditávamos que fossem perdurar. Mas essa suposta volaticidade da era moderna nos acovarda, não nos empodera a tentar novamente. Vivemos um momento de muita procura e menos disposição, porque existe uma grande e sutil diferença (muito sutil!), entre estar disponível e estar disposto. É muito fácil dizer que quer, que ama, que soma, porém quando a formiga morde o braço, some!


As pessoas estão muito acostumadas a pensarem em si e esquecem que companheirismo é uma confluência de ações que buscam e exaltação do querer bem, do respeito ao próprio espaço e do outro também, porque relacionamento de verdade segue a lógica do amor recíproco, não igual, mas necessário dentro das possibilidades de cada sujeito. Acredito que eu e minha amiga teremos longas conversas como esta, pois isso nos faz refletir sobre o que é melhor para nós e qual papel iremos assumir, nos relacionamentos, diante das nossas aspirações em sermos felizes.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

AFETO

É uma questão de tato, de sentir mesmo.
Não adianta tentar substituir o toque se o sentimento é da ordem do afeto.
Isso, afeto.
Tornar-se sensível.
Permitir-se para o desconhecido.
Porque todo encontro pressupõe uma reação.
Sem entrega, confiança e, supostamente, medo, nada suporta.
E talvez seja esse o grande desafio.
O medo de suportar, de sustentar, de se tornar vulnerável ao afeto.
Mas é assim que acontece, que emerge, que faz nascer.
Não há felicidade sem riscos,
Pois é nele que incide as diversas possibilidades.
Eu sei que são escolhas,
Mas é o afeto que motiva, que inquieta,
Que nos lança mudo a fora.
Que leva nossos barcos a deriva, por vezes, a um destino.
A um sentido aceitável para tudo isso, tudo que somos.
É uma questão de tato, acredito.
Esse medo de tentar que nos interroga,
Que nos coloca a prova,
Que nos cega,
Que nos impede de olhar o mundo com mais sensibilidade,
Com mais coragem, mais braveza e leveza.
Por isso, insisto.
Quero estar vulnerável a tudo isso.
Posso não ter a oportunidade de ver a flor,
Mas quero ter a oportunidade de escolher ver sem arrancá-la.
Quero me reinventar todos os dias.
Encantar-me por tudo que o afeto proporciona,
E mesmo na vulnerabilidade,
Correr os riscos.
Porque felicidade é isso,

É uma questão de tato, de sentir o não dito.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016


Você é mais um de bilhões de pessoas que existem. Tá, isso eu sei... Mas não somos bilhões de cabeças iguais, que pensam e agem da mesma forma.

Talvez seja essa grande questão que justifica a maneira como as relações humanas estão dispostas atualmente. As pessoas estão acostumadas a olharem o mundo apenas com o seu espelho, definindo o outro de acordo com as suas expectativas e desejos.

Mas expectativas não definem pessoas, definem a sua dificuldade em lidar com suas próprias questões, com as suas faltas e, naturalmente, frustrações.

É difícil conviver com o que as pessoas “acham” sobre nós, porque isso acarreta o perigo das percepções cristalizadas. É insano pensar que você não o que de fato é, mas aquilo que as pessoas “acham” que você seja. Obviamente, isso não é nenhuma novidade, acontece nas diversas relações, mas até que ponto isso importa?

Pois bem, isso muito me importa!

Estamos na era do consumo exacerbado das coisas. Tudo tem valor, pode ser comprado, tem preço, barganha, leilão, disputa. Difícil é aceitar que tudo passa a ser objeto, inclusive nós. As pessoas estão se acostumando com o trágico comportamento de estarem desenfreadamente disponíveis a todo o custo, isto é, sem custo nenhum. Valorizar-se não está na moda, mas ter um valor no mercado, sim.
Se você gosta de alguém isso é garantia de amor para a vida toda. Se não tem afinidade com outra é a pior do mundo, se você aceita uma solicitação de amizade é resultado de um pacto sexual sem fim, como assim? Até que ponto seremos vistos dessa forma?

Sei que cada um tem as suas escolhas, isso é massa, por isso tenho as minhas, entretanto, não sou objeto.  As pessoas não são encontradas em prateleiras, nem muito menos à venda em campanhas promocionais. Eu compro roupa, remédio, perfume, comida, bebida, tênis e um monte de outras coisas, mas não compro pessoas. Sentimentos, valores, princípios seguem a lógica interna, do sujeito, portanto, uma lógica que não é medida [e nem deve] seguir a lógica dos prazeres mundanos.

Essa permissão de se tornar o que os outros “acham” é de uma perversão sem igual. É um direito que cabe a cada um, eu sei, mas aprisiona. Não posso me violentar a ponto de me imaginar uma coisa. A chamada coisificação é um processo violento, avassalador que deslegitima a capacidade e direito de existir do outro.

O que falta, sinceramente, é a vontade de sustentar os sentimentos com mais responsabilidade. Que seja sexo apenas, ou um abraço, mas que seja consciente e autêntico. Deixar-se levar pelo olhar alheio me faz perder a dimensão de estar no mundo, de manter os meus posicionamentos e construir minha história.

E acredito que falta isso hoje em dia. Falta o encantamento das relações [qualquer que seja!], a leveza de escutar uma negativa sem agressividade, de ser abraçado e beijado sem medo de sentimentos contrários, e viver a realidade, o que está posto, de fato.


Sou um entre bilhões, eu sei, mas continuo sendo Eu.

sábado, 25 de julho de 2015

AMIGOS

De repente você percebe que amizade requer muito mais que estar junto.
É compartilhar, dentre muitas coisas, as diferenças e contrastes de opiniões, de valores e de posicionamentos, acima de tudo.
Porque esse tipo de relação, por mais linda que seja, demanda pactos, acordos e atitude recíproca, independente da proporção que se dá para reconhecê-la.
Amizade é mais uma construção do que um desafio. É o conselho que se dá pensando na história do outro, independente da sua história.
É ser apoio para o empoderamento das escolhas que o outro possa fazer, mesmo que sua percepção não siga a mesma lógica.
Amizade é uma forma de escolher a própria família, trazer agregados, formar laços maiores, talvez a maior sensação de pertença.
Porque amizade é amor.
Sentimento puro, entretanto, jamais ingênuo.
Uma parceria para toda a vida, por mais que a distância dite as regras do jogo.
É um compromisso que se firma com base no respeito, no cuidado, sem sentimentos contrários, mas sem projeções nem muito menos perfeições.
Pois nenhuma relação sobrevive de idealizações.
E a amizade, como amor, é sentimento puro dos seres imperfeitos.
É a prática do carinho, mesmo na turbulência do cotidiano.
É a preocupação, o querer bem, a raiva, o estresse daquilo que o outro não entende, mas que prevalece o amor, e a parceria vive, respira, faz cor.
Amizade não é fardo, é tato.
Não é imposição, é sensibilidade, toque, olho no olho, sangue pulsante.
É ritmo, adaptação constante.
Que essa dádiva, dos seres imperfeitos, sobreviva as inconstâncias dos valores e da verdade.
Que não se misture as intenções voláteis,
E que renove, através de pactos, laços e nós, esse sentimento de irmandade.

PERDAS E GANHOS

Somos diferentes. Ponto.
Seria muito mais fácil a compreensão do homem se levássemos em conta apenas essa premissa. Mas saber sobre as idiossincrasias não resume a atuação das pessoas, porque sempre existirão pequenas e outras grandes coisas.
O interessante disso tudo é perceber que, apesar das infinitas construções identitárias, entramos nesse jogo chamado vida para ganhar e perder, isto é, evoluir. Mas, afinal de contas, como podemos definir ganhos e perdas nesta dialética? De fato, existe uma consciência mínima das pessoas a cerca disso?
Estava a pensar sobre os valores vigentes nos dias de hoje... Refiro-me aos valores como os princípios que nós cultivamos e levamos como base da nossa vida, com objetivo de situar-se no mundo, através dos julgamentos, construções e acepções. Na verdade, nossos valores são a forma como olhamos para tudo em nossa volta, o que dar sentido ao que passamos.
Mas, voltando, o que seriam perdas e ganhos?
Perdas e ganhos são os degraus que subimos, vez por vez, mesmo que lentamente, com a finalidade de conquistarmos o que desejamos, mas nunca esquecendo a principal recompensa nesse processo evolutivo: a maturidade e a sabedoria. Penso que nós, seres humanos, ao sermos lançados nas conjunturas relacionais, em um contexto chamado socialização, somos levados a entender sempre as perdas e ganhos como processos traumáticos, como se não tivéssemos ganhos.
Por outro lado, é nosso dever buscarmos as melhores formas para entender as questões da vida, e o aprendizado perpassa o reconhecimento dos insucessos para posterior elaboração dessas vivências.
Hoje, é perceptível a dificuldade e resistência das pessoas em reconhecerem que o perder/ganhar fazem parte do nosso processo evolutivo e moral. Muitas vezes, precisamos enfrentar um momento de desequilíbrio para equilibra-se e essa é a grande dinâmica da vida, pois a perda nem sempre é fracassar, de fato.
Às vezes, devemos perder para ganhar perspectivas e conquistas melhores. Ao internalizarmos isso, é possível a compreensão das etapas e momentos da vida com uma maturidade mais lapidada, capaz de nos proporcionar sabedoria para entender a dimensão das escadas e degraus que subimos na escola da vida.


sábado, 20 de junho de 2015

VIDA: REFLEXÕES E IDIOSSINCRASIAS

Vida.
Começo, meio e fim, a pesar de.
Uma escola.
A liberdade mais sentida por mim, por nós.
Uma oportunidade e milhares de tentativas.
Pois são elas,
São essas infindáveis, incontáveis possibilidades de construção de mim,
Entre o antes e o depois,
Entre tantos intervalos, momentos e avanços.
É o que vai,
É o que vem.
É a ponte,
É o abismo,
É o devir.
É a noção de si,
Do direito, da justiça,
Mesmo que lenta e bandida.
Das palavras não ditas,
Mas sinceras de mim.
Sinceras do outro que existe para nos fazer sentir.
Sentir o dever,
A obrigação,
A responsabilidade de deixar ao outro a garantia de suas escolhas,
Apesar das incertezas do mundo.
É o dever do afeto,
Que se vincula pelos laços,
E também pelos nós.
Do desejo, do instinto do desejo,
Apesar do mundo, de tudo.
Porque eis a palavra,
Que apesar de si tudo formou.
Criou sentimentos,
Deu nomes e sensações,
Emoções e momentos.
Falou-me dos ventos,
De você e dos tempos.
E fez existir,
Sem nada em vão,
Nas linhas escritas em incansáveis formas,
Incontáveis pontos e cores,
Uma multidão.
Que a vida permitiu pelo dever e obrigação.
De oferecer o lápis para convidar a mão
A pintar, bordar, fazer cor.
Preto ou branca,
Vermelho ou amarela,
Anil, talvez,
O que quiser.
Pois com o querer nasceu tudo isso,
Essa escola,
Essa ponte desenhada em aquarela
Que eu, você e pronomes conjugam os versos,
As ladeiras,
Retas,
Subidas,
E descidas.
Com uma vontade incessante de fazer histórias,
Grandes e pequenas,
Simples e complexas,
Épicas e cotidianas,
Que resumem essa liberdade.
Substancialmente, liberdade.
De escolhas, lápis e giz,
Parafraseada a mão,
Qualquer que seja.
Mas que se faça elementar,
Em qualquer consciência,
Uma substancia.
No começo,
No meio,
No fim,
Substancialmente, vida.



sábado, 14 de março de 2015

DIGA SIM ÀS "MANIFESTAÇÕES"

Faz tempo que eu não escrevo nada, aqui no Face! Confesso que esse cyberespaço já foi mais interessante e prazeroso pra mim, e talvez seja esse o grande motivo pela minha suposta ausência. Diante de tantos acontecimentos, entretanto, resolvi compartilhar meus botõezinhos com vocês sobre essas constantes e, acredito, necessárias manifestações sociopolíticas que nos envolvem. Reforma Política, MST, operação Lava Jato, dentre outas acepções, em algum momento nos empolgam a reivindicar os nossos direitos de cidadãos em busca da legibilidade e igualidade parafraseadas por uma ideologia democrática, se assim posso dizer. Por um lado, isso é ótimo, porque nos convoca a assumir papéis importantes no combate as mazelas sociais que assombram nossa "democracia" e nos corresponsabiliza por todos esses vergonhosos acontecimentos que estamos passando (claro, não somos vítimas absolutas do Sistema, afinal de contas, nós somos parte dele, ok?). Por outro, sinto que estamos perdendo a capacidade de nos tornarmos sensíveis a outros tipos de manifestações, consideradas por nós pequenas, simples, talvez nem por vocês reais manifestações, sendo normalmente percebidas como paradigmas naturais da nossa sociedade. Infelizmente, crescemos e nos tornamos gente internalizando que as grandes mudanças são as que de fato importam. A educação, em todos os seus níveis pedagógicos, nos ensina que o aborto, a legalização da maconha, eutanásia, criminalização da homofobia e afins são os temas polêmicos, aqueles que merecem a atenção do povo, que demandam um suposto ideal revolucionário. Somos aliciados a construir essa ideia, de que as mudanças, para serem mudanças, precisam de atos heroicos e grandiosos, deixando de lado as polêmicas da nossa vida cotidiana e que merecem tanta importância quanto. Nasci em um núcleo familiar extremamente patriarcal, constituído de regras, onde o poder sempre foi centralizado na figura paterna. Para mim, o fato de minha mãe, em muitos momentos, não poder decidir sobre determinadas coisas me incomodava, me fazia pensar, construir, desconstruir reflexões a cerca dessa estrutura familiar, me fez assumir posições que antes não me imaginava e essa durável experiência foi polêmica para mim, porque não? Canso de abrir o Face e ler textos deficientes e carentes de uma gramática, ao menos, digna de um português básico, de escutar pessoas e sentir falta da educação que elas deveriam ter de direito, de ver o sofrimento de famílias em não saber lidar com as crises existenciais dos filhos, me canso de ver pais dando de tudo que os filhos precisam, carros, viagens, prazeres exacerbados, sem reconhecer a importância dos limites, do amor, e ainda sim acharem que estão educando-os. Tudo isso são situações do cotidiano brasileiro e TODAS são polêmicas! Precisamos entender qual a importância e o sentido das manifestações em todos os âmbitos. Devemos lutar, nos manifestar diante daquilo que nos torna impotentes e vulneráveis. Sou a favor da manifestação contra o analfabetismo, da manifestação a favor da liberdade de expressão, da manifestação em prol da leitura, da manifestação a favor de famílias que possam gozar dos direitos declarados na Constituição, da manifestação por uma educação igualitária, da manifestação por direitos igualitários de gênero, da manifestação a favor do dialogo entre pais e filhos, da manifestação pelo respeito e o direito de ir e vir, enfim, sou a favor das manifestações que nos tornam mais capazes e sensíveis para superar o que estamos vivendo hoje em dia...

terça-feira, 11 de março de 2014

Suposições sobre o amor





No despertar de mais um dia
Aqueço-me com os raios do sol
Ou a brisa dos ventos.
Não existe escolha para o tempo
Mas existe a escolha de sentir o que se quer.

Com tantas escolhas no mundo
Escolhi ser feliz.
Queria uma verdade inventada,
Queria sentir o brilho no meu olhar
Esperava há tempos esse despertar.

Mas, nas surpresas da vida,
Também escolhi você.
Diamante negro, bruto e precioso.
Animal humano, sagaz e valente.
Indomável em suas atitudes,
Inalcançável em seus pensamentos.

Que por instinto divino me encontrastes
Apenas com um desejo de saciamento.
Mas que no saciar dessa fome
Nasce o amor como alimento
Brota desejos com sentimentos.

E o encontro marca o início de tudo.
A vida presenteia com cores que nunca se viu,
Sentimentos compartilhados em verdade,
Que se tornam especiais e nobres
Como a beleza de uma gota d’água.
A transparência de um amor que reluz...

E o amor renova, se instaura.
Faz lapidar o diamante
Doma o animal
Mostra o que no amor se faz natural:
A transformação de nós mesmos.

O tempo passa e traz consigo desafios,
Que pelas adversidades da vida
Convoca-nos a superá-los.
Sustentar um amor verdadeiro requer desprendimento.
Demanda uma confluência de sentimentos e atitudes.

E com tantas coisas e devaneios nos encontramos,
Assumimos papeis e pela naturalidade das coisas.
Fizemos acordos.
Aceitamos a condição de estar vulneráveis
Um pelo outro com a certeza do que queremos,
Do que sentimentos e do nosso futuro.

As artimanhas do destino são assim.
De onde menos esperamos,
Surgem as surpresas da vida.
Surge a nossa verdadeira felicidade,
Surge o amor que tantos almejam,
Mas que poucos saboreiam.

Amor é flor que não morre.
É sede insaciável
É fome dilacerante
É saudade sempre presente
É um bem querer constante.

Amor é tudo que se vive
É desejo de posse
É medo da perda
É reconhecimento das fraquezas.
Amor é um eterno aprendizado...

Com tantas vivências, seguimos felizes.
Evoluindo pelas estradas da vida,
Jurando promessas diárias,
Alimentadas pelo desejo inenarrável de estarmos juntos.
Um vínculo intenso que existe por causa do nosso amor.

Sendo assim, eu te presenteio.
Passei pelo jardim mais bonito,
Colhendo as mais lindas flores
Para, nesse momento, te dar como resposta do meu amor.
Sei que elas são lindas...

Mas, ainda sim, elas nunca serão o suficiente.
Pois o amor é o sentimento mais belo que existe,
Que traz cores que desconhecemos,
Sensações diárias que aprendemos.
O amor é de natureza divina,
Mas com a certeza de que vivemos.

Que nas andanças da vida
Reconheçamos nossas mudanças,
Valores e aprendizados.
Não nos tornemos sujeitos cansados
Pois o amor é assim:

Uma vontade incessante – e supostamente ilusória - de uma felicidade inesgotável.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Estrada

Talvez eu seja uma coisa improvável, impensada, instável.
Talvez eu nada seja.
Nada, no mundo de hoje, é uma qualidade desejada, portanto, alguma coisa sou.
O que me questiono - se é que posso -, é se desejarei ser nada ou ser tudo.
E nessa incansável luta por qualquer condição - de existir, claro-, algo sempre serei.
Se serei alguma coisa, é um direito que me cabe - e uma obrigação também.
É dever meu, anseio, talvez, por um verbo transitivo nesta estrada.
Quero a possibilidade de me reconstruir nela conjugando o verbo várias vezes,
Pois estrada me fiz.
E passei por etapas onde, muitas vezes, nada fui, para ser alguma coisa.
Fui caminhos barrosos,
Fui caminhos alagados - sim, águas me invadiram.
Fui estrada sinuosa,
Fui precipício - sim, medos me tomaram.
E de tentar ser o que não se sabe - de fato, não sabemos quem somos -, fui estrada.
E agora, o que sou?
Não sei ao certo.
Sei que busco ser,
Pois tenho honra em conjugar esse verbo.
Quero ser feliz sem receitas supostamente impostas.
Quero ser nada por algum tempo e lidar bem com isso.
Pois um dia acordo e me faço ser flor.
Que pelo desafio da vida seguiu e desabrochou.
E não há nada que me faça desistir de ser.
Pois, dessa relação de tudo e nada, algum momento me renovo.

E penso, aliás, disso eu tenho certeza: sempre serei estrada.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Nossos Jardins


No meu jardim plantei sonhos.
Tive cuidado para que não fossem destruídos por uma ventania qualquer
A depender do nosso zelo, um sopro pode ocupar muito bem este lugar.
E o que me resta, muitas vezes, é cercar o jardim.
Uma atitude previsível quando se sente o perigo mundano.

Os sonhos plantados se transformam em flores.
Esperamos um tempo particular, sem data para desabrochar.
É um jardim que floresce aqui dentro como uma metamorfose,
Onde acontecem os mais fantásticos acontecimentos.
São flores que mudam nas estações e previsões mais contrárias,
Uma realidade humana...

O jardim se esconde quando se tem luz,
As cercas evaporam com o cair da noite.
Essas dúvidas absolutas que não damos conta
Fogem ao nosso controle.
E o resultado disso tudo
É a busca incessante.

Com o nascer do dia, o sol traz minhas rosas.
Sem a cor que esperava,
Sem o perfume que desejava,
Mas são minhas,
Essas flores...

Jardim de sonhos,
Plantei um dia.
Plantei com a delicadeza de nascer uma flor
E nasceram sonhos.
Outras cores, outros planos.

Agora com o meu jardim estou.
Sem esperar nada,
Desejando tudo.
Nossos sonhos não tem fim.
Violetas, rosas, margaridas, lírios dissipam a cerca
Que um dia eu coloquei sem necessidade.

Flores só nascem quando regamos as sementes.
Nosso jardim só floresce quando regamos os sonhos.
Realidade mesmo é viver tudo isso,
E ver tudo acontecer sem o nosso controle,
Apenas com uma sensação duvidosa de que fizemos parte dessa colheita: a vida.







quinta-feira, 21 de junho de 2012

Relatos

Há muito tempo me resguardei para as palavras. Sem entender o porquê, adormeci esta prática que me faz mergulhar nas minhas próprias inquietações, que me desperta e me faz persistir numa busca constante sobre meus sentimentos e a dinâmica do mundo. Essas transformações avassaladoras evocam de nós uma chuva de decisões que não damos conta. De certo, tiro por mim. Nessa calmaria entediante é que percebo o poder das minhas escolhas. Ou pelo menos tento compreender a dimensão que isso tudo causou na minha vida. Construir um caminho de flores e de cor me obrigou a alçar voo precocemente. Sem penas nas asas, me atirei e fui jogado para fora do ninho sem saber voar. Apesar do meu jeito forte e desafiador de ser, tive uma forte queda. Não morri, mas ainda me recupero dos fatos e lembranças que ficaram marcados no meu pensamento, que foram derradeiros para esse bater de asas, mesmo que cedo demais. De tudo que conquistei, que passei, que lutei, hoje percebo que nada me pertence. A gente busca, corre atrás, desatina o nó, mas sempre algo falta. De certo, daqui a algum tempo me questionarei sobre a ilusão de tudo isso. Uma vida desgastante, com idas e vindas, rodeadas de surpresas que nos colocam a prova. Claro! Surpresas não são ditas, mas trazem sempre alguma sensação, dolorosa ou não, mas o fazem. Na verdade, vivo na contradição do conhecer sem nada saber. Quanto mais me entendo, menos eu sei sobre mim e mais vulnerável eu me torno. Queria entender os estragos que as relações realizam e a força que nos avassala. Elaboramos um discurso de saber, de conhecer, mas não adianta. Surpresas são sempre surpresas... O que me resta, em minhas decisões tardias, é a busca da emancipação, o caminhar incessante, mesmo que às vezes perdido, porque sendo tortuoso ou não, busquei, do meu jeito, a maneira mais bonita de me reinventar.

Canção



Juntei os pedaços para tentar buscar
Uma canção mais real.
Procurei nos meus olhos
Nuvens como o azul do mar
Dissipadas no céu que não enxerguei.

Talvez sejam reflexos
Ou complexas mentiras.
São razões que são reais para mim.
Só queria sonhar com a liberdade esta noite
Compartilhar com as estrelas os meus sentimentos.
Algo que me trouxesse o conforto de ser eu mesmo.

Apenas um sopro ao vento seria o suficiente agora
Para me fazer chegar tão longe do fim.
Mas o grito não quer sair...
Os retalhos não formam a minha canção.

E depois de todo o silêncio
Eu ouço os barulhos do meu sentir.
Talvez sejam os caminhos que se percorrem
Quando não se sabe sobre você mesmo.
Por isso que peço aos pedaços de minhas histórias
Que se juntem e façam continuar a minha canção.

Será que está tudo certo agora?
Preciso de um significado real para isso.
Um pulsar que se produza corações leais.
Algo o bastante para provocar sinceras reações
Para construir simples verdades
Ou uma eternidade aceitável
Mesmo com os encantos da nossa real ilusão.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Vôos incessantes


Hoje senti vontade de pegar um vôo.
Arrumei minhas malas, peguei tudo que precisava.
Coloquei expectativas, sentimentos e sensações em uma parte separada.
Tive medo de que tudo isso se misturasse com as minhas outras coisas,
E pensando bem resolvi tomar essa atitude.

Falei com todos sobre a minha partida.
Organizei uma despedida, fiz banquete, sustentei aquele semblante de que tudo faz parte da vida.
Discursei com firmeza, distribui sucesso, paz, saúde, alegria, felicidades e conquistas,
E, depois de tudo, passei à porta.
Olhei para trás e sorri pela ultima vez.

Coloquei a mala no chão e me preparei para voar.
Peguei meu casaco, passaporte e minhas asas.
Tirei da mala a fé e a esperança e parti.

Durante a viagem precisei fazer muitas escalas.
Esqueci de perguntar ao tempo se podia voar sem a sua existência;
Esqueci de perguntar ao vento se ele me daria forças para voar incessantemente e mais forte;
Esqueci de olhar no espelho e me perguntar se valeria à pena;
Esqueci de olhar para mim mesmo e indagar para onde estava indo.

Desarrumei minhas malas.
Muitas coisas faltavam.
Nada que precisava estava lá, apenas à mala de sentimentos, expectativas e sensações.
Chorei por algum tempo porque havia me enganado.
Quis a mala cheia, com tantas coisas, tantos valores, mas sem importância.
Não me dei conta que alcei vôo para um lugar sem ponto fixo e arriscado.


Arrumei tudo para chegar ao inesgotável.
Coloquei minhas asas para voar sem saber das infinidades de coisas que enfrentaria.
Na verdade, não precisava de tudo isso;
Esqueci de colocar a compreensão na minha mala,
Porque a viagem que sempre fazemos sem um ponto final é o caminho percorrido pelas estradas da vida.

Voltei à porta e desfiz as malas.
Reuni todos e falei sobre a minha viagem.
Perguntado sobre onde tinha ido eu respondi:
ALCEI VÔO PARA DENTRO DE MIM MESMO.
PRECISAVA ENTENDER O QUE SE PASSA QUANDO FAZEMOS ESCALAS DE VÔOS NO CORAÇÃO E NA ALMA.

domingo, 6 de novembro de 2011

Inconstâncias


Nem sei se é a hora, mas estou aqui a insistir nas sensações.
A insegurança pediu que atuasse através das palavras, uma forma mais que oportuna de acreditar na existência das coisas.
Pois bem, aqui estou, me desdobrando, caminhando sobre dubiedades, vivendo e sofrendo com os meus próprios passos.
Não me lembro quando deixei os meus pés tão limpos e sóbrios para caminhar...
Há tanto tempo procuro um sentido aqui dentro. Cravejei tantas respostas, tantas indagações, me debrucei na eternidade e sei que aprendi, percebi tantas infinidades...
Mas não consigo compreender as mazelas e felicidades de tantas outras coisas. Será que me doei assim, tão livremente? Por que a liberdade é uma palavra tão confusa?
Liberdade é um sentimento que só entendemos quando sofremos. Não somos capazes de cuidar de si mesmo sem pensar num Outro...
Se choro é porque existe um Outro,
Se escolho é porque fui escolhido por um Outro,
Se caminho é porque existe um Outro mais importante a ser alcançado...
Afinal de contas, onde me encontro?
Tenho bases tão sólidas vistas a olho nu, mas sentimentos são voláteis e insustentáveis. Não me basto com suposições microscópicas, me estremeço sempre quando posso, quando sinto, quando vivo...
Hoje estou desestruturado, buscando mais do que nunca uma ordem qualquer. Mas não consigo me organizar no caos, algo que fazia com tanta primazia. Quero possibilidades de amar sem medo, de falar com as estrelas sem receio das nuvens, de andar pelas ruas sem resistência do grito das chuvas, de ser em verdade sem esperar uma mentira alheia...
É insano pensar nas coisas sem ter acontecido, mas é a minha capacidade de desejar o impossível, o possível, o imaginário, o que é real para mim.
Falei em palavras sem a permissão do tempo... Tudo aqui se movimenta, mas preciso saber em que tempo as sensações não são tão inseguras. São minhas inconstâncias apenas...

domingo, 11 de setembro de 2011

Algo assim...


Acredito que nos mares existem grandes mistérios.
Sei que não basta saber, é preciso mergulhar fundo para descobrir seus verdadeiros encantos.
Encantos que se assemelham a idealizações construídas, definidas pela ânsia da mais ingênua ordem do querer;
Que insiste em devastar os nossos corações, pulmões e tudo que se quer, como se nada fosse assim... Tão insuficiente...

Na verdade somos baús carregados de mistérios, surpresas, aventuras e desejos.
Sem conseguir entender um sentido total de todas as coisas, mergulhamos, mergulhamos e mergulhamos...
Nesse mergulho encontramos de tudo. Encontramos o ódio, o amor, a paixão visceral, o silêncio, a insegurança, a fortaleza, as incertezas...
Abrimos estradas, fechamos portas, cativamos sorrisos, incorporamos bandidos e assim caminhamos;
Como se não bastasse, apertamos o gatilho do coração e atiramos em tudo que é ameaçador, o que nos condena.

Deixamos feridos tudo àquilo que nos pertenceu, que conquistamos nos mergulhos da vida,
E mesmo assim não encontramos sentido para as coisas imaginárias da realidade.
Talvez se a solidão dormisse com o barulho das ondas pudéssemos admirar a riqueza de saber que ela existe.
Mas negamos o silêncio, nos debruçamos com o horror Hedônico, com uma falsa sensação de poder infinito.
Que inconstância apresenta nossos oceanos...

Muitas vezes são as águas dos mares que perturbam o nosso falso equilíbrio.
São os mergulhos simbólicos que nos incentiva desbravar o imaginário, o real, o que acreditamos.
Sem as águas não existe correnteza, rios, nem muito menos mudanças...
Como diz o sujeito... O homem não se banha no mesmo rio duas vezes.
Como dizem meus sentimentos... O homem é uma ilusão tão bem feita quanto a nossa própria realidade.

sábado, 13 de agosto de 2011

Aceite-nos

Pegadas na areia, sentimentos construídos e a certeza de que o amor pode existir. Caminhei sendo alvo de grandes predadores, talvez brilhantes pessoas, mas não permiti. Talvez estivesse à procura de alguma coisa que me fizesse entender a importância de tudo que sou e do que podemos ser nesses fracassos constantes que são as relações. Um dia as pegadas na areia começaram a encaixar no meu pé, não sei se foram as minhas pegadas, porém se encaixavam com precisão, conforto e sensação de pertença, e por incrível que pareça fiquei dias a fio a sentir essa completude que me propus a encontrar. Não sei o que realmente sentes, mas me apego na reciprocidade de valores e sentimentos existentes entre nós que, na verdade, se denunciam pela congruência dos nossos desejos. Estou em um lado do oceano e você do outro, mas quem disse que não existe verdade no nosso sentir? Será que muitas coincidências e semelhanças são apenas coincidências? Por que não sinais? Costumo valorizar a existência das surpresas que a vida nos prega e muito mais pela intuição de que existe um entrelace que nos une, que nos faz gostar. Se me queres e me gostas não deixareis que gostes na solidão ou que tenhas medo da insegurança... Há muito tempo procuro essas pegadas na areia e não posso deixá-las, pois os ventos são fortes o suficiente para as levarem daqui, e o que será de mim sem as suas pegadas? Hoje que a inconstância do tempo e a superficialidade das relações são mais que reais, acredito que podemos ser diferentes, sem ilusões, porém em verdades. Me pego escrevendo o que há de mais intenso em mim nesse momento, de mais sincero, não quero me enganar e, portanto, me permito. Sei que acreditas nas artimanhas da vida, nas minhas intenções, nas nossas vivências e tudo que esse pouco tempo vem nos oferecendo, não tenhamos medo do que virá nem do que pode acontecer. Estou aqui e estais aí, em pólos distantes, mas que se atraem pela veracidade de desejos que insistem em nos aproximar, é muito mais que a eternidade, é como uma musica que fala sobre duas essências que existem em um gostar de sentimentos nobres. Aceito o seu tudo e o seu nada... E você, aceita os meus? Escrevo de uma torre que me lança nos seus sentimentos, vivamos então tudo isso, pois é tudo nosso.

domingo, 7 de agosto de 2011


Cê que me dava tantos mares para que pudesse navegar sobre as estrelas não me proibiu de cair no mundo. Afoguei-me nessas realidades e não consegui chamar por teu nome. Sabias que seria assim, não vi os teus olhos para que pudesse me avistar, muito menos a vontade de me salvar.

Cê que me dizia tantos poemas e declarações de amor, citava Drummond na mais perfeita intenção, me fascinava com as mais verdadeiras loucuras de Lispector, não permitiu que chegasse a um lugar comum ao nosso mundo. Uma loucura talvez tardia para me ludibriar com tantos discursos armados e calcados como areias ao vento.

Cê que me mostrava tantos segredos, mistérios e seduções se evaporou como uma gota d´agua. Tentava buscar um sentido para o seu desaparecer, contando nos dedos a falta que Cê me fazia, mas não adiantava. Estava perdido em mim mesmo, preso em outros desejos, angustiado em outras intenções, sem nada a fazer.

Não sei o que Cê fez em mim ou fez de mim, não sei o que Drummond fez quando caiu na solidão. Não sei o que Lispector fez na hora da estrela, mas, para que saber? Foram ventos e ventanias, mares e correntezas, verdades e impurezas, outras e outras coisas. Coisas promessas, bestas, intolerantes, latentes, emergentes, mas grandes coisas.

Cê que me dizia dos perigos mundanos, me alertava sobre as armadilhas e tentações do amor, não me instrumentalizou para as possibilidades de dor. Dor essa que fere, que sangra, que dói, mas que passa. Na verdade tudo muda, inclusive a passagem da dor. Não existe concretismo para sentimentos, muito menos para desejos. Perdi com Cê o que o mundo perde todos os dias, amor, admiração, verdade... Aliás, não perdi, me escondi em tudo isso.

Cê foi uma farsa, identidade impostora que se produziu com as falcatruas do mundo. Misturou-se com os desejos ambíguos e se transformou nas mazelas do infinito. Cê não está mais presente, se foi com as estrelas que me afundaram no mar. Águas essas que correm no meu corpo, uma gota repentina de sentimentos humanos, que não se funda no oceano, mas em nós mesmos. Oceanos vermelhos que conhecem nossos esconderijos, que dão brilho as nossas estrelas e que Cê sabes muito bem que não foi embora... sempre esteve no mesmo lugar.

Cê não existe, mas não se foi. Apenas matou a minha realidade para uma realidade mais próxima. Cê é uma confusão de mim mesmo com o mundo... Cê é uma coisa que existe apenas...

Eu estou aqui para viver e ver no que vai dar Essa rotina de sonhos e apagamentos De colocar o medo antes de tudo Antes de resp...